Zoe foi uma bola fora da Riot? (textão)

Já faz tempo que a Riot tem demonstrado uma melhora significativa no desenvolvimento dos campeões. Mesmo que nem todos sejam parte do meta competitivo, a maioria deles, seus conceitos e gameplays são muito sinérgicos. Sinceramente, não consigo lembrar nenhum campeão dos mais recentes, que não seja muito bem trabalhado em relação ao seu conceito e suas habilidades. Zoe não é exceção. Seu lado brincalhão está muito bem demonstrado em suas habilidades, que trazem o caos para os campos de batalha. E ainda que a equipe tenha feito um excelente trabalho em construir um campeão tão rico de expressões e personalidade, será que era o campeão que League of Legends precisava? Quem lembra do dano das lanças da Nidalee pré-rework talvez já tenha feito a comparação entre ela e Zoe. Não é uma comparação 100% justa, já que a Nidalee demonstrava uma discordância entre seu kit e sua jogabilidade, naqueles tempos, seu gameplay consistia em distribuir lanças o mais distante possível e torcer para que uma acertasse. A contabilidade do dano inclusive se dava no momento do hit, então era comum o jogador arremessar a lança e recuar ainda mais do seu adversário. Era um contrassenso ao conceito de caçadora da Nidalee, metade do seu kit se baseava na aproximação de seu alvo para finaliza-lo na forma de felino. Entretanto o poder da lança era tão alto, que a seu gameplay, principalmente no mid (posição comum para a Nidalee naquela época) girava exclusivamente na possibilidade de matar um oponente com 70% da vida com apenas uma lança. Desde então Nidalee foi refeita para estar mais bem estruturada de acordo com seu conceito e parecia que aquele seu gameplay parecia ter desaparecido. Isso, até o surgimento da pequena Zoe. Zoe não tem os defeitos conceituais que Nidalee possuía, a esfera de problemas de Zoe é de outra ordem. Não é incomum lermos a expressão: high riskys, high rewards quando estamos lendo sobre o desenvolvimento de personagens. "Quanto maiores os riscos, maiores as recompensas" é uma forma econômica de pensar. Quanto mais audaciosa a jogada, mais benefícios podem ser retirados dela. Uma Katarina pulando corajosamente no meio do time inimigo, está colocando seu pescoço em risco na tentativa de matar até o time inteiro inimigo. Será que esse pensamento foi aplicado na Zoe? Aparentemente não. Zoe parece não estar relacionada a riscos e sim a tentativas. A questão de Zoe, não é se ela vai conseguir fazer o time inimigo recuar com alguma jogada mirabolante onde se falhar sua penalidade é morte. Um bom uso de seu Q, já é suficiente para assegurar ou destruir um siege. Voltamos a era da Nidalee, onde o antigo HotshotGG proferia: "você erra todas as lanças que não dispara". Esse é o espirito que ronda a Zoe, o do lucky shot, onde um tiro com sorte o suficiente mata um inimigo desavisado. Na verdade, nem tanta sorte, seu "stun" tem cd e artificios suficiente para assegurar que morte espreite qualquer um (ADC) que não tenha os equipamentos necessários para sobreviver um combo de seu E + Q. A pergunta que me incomoda é: por que a Riot se deu o trabalho de reviver uma mecânica que já havia sido superada? Ver um ADC morrer em um único tiro da Zoe é tão interessante para os jogadores de LoL? A frustração de morrer com apenas um acerto do inimigo é algo que acrescenta a experiencia de jogar LoL? Sinceramente, gostei muito de como a personagem evoca esse caos durante a partida, mas acho desnecessário um campeão que ressuscite um gameplay que já havia sido colocado de lado. Não acho que a Riot tenha acertado a mão dessa vez, Zoe caminha de forma inconsequente sobre a tênue linha da frustração e da emoção. Ainda que talvez tenha sido uma decisão de design, é importante lembrar que para cada grito de emoção em eliminar um jogador com apenas 1 tiro, existe a frustação exatamente no espectro oposto dessa jogada.
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